Conforme havia postado, para Manzini, existem duas possibilidades da participação do designer em uma comunidade: projetando para e projetando em. Depois de estudos e leituras, que me ajudaram a compreender melhor a disciplina, e da visita à Cooperunião, pude definir melhor o escopo do meu projeto.
Estudando as possibilidades de trabalho com a Cooperunião, enxerguei 3 possíveis caminhos a seguir:
1) desenvolver produtos com base na flor;
2) desenvolver melhor a linha de papelaria;
3) criar outro produto utilizando sacos de cimento.
A primeira possibilidade não me pareceu muito atrativa, a partir do momento em que conheci melhor a história da Cooperunião e percebi que a flor é um case de sucesso na cooperativa, sendo que meu papel seria otimizar uma solução que já dava certo.
A terceira possibilidade foi a que mais me chamou atenção no início de todo o projeto. Entretanto, me preocupo com o cronograma e com o tempo que escolher essa frente pode demandar em termos projetuais, sendo o material muito específico e peculiar. Seriam necessárias várias etapas de experimentações, protótipos e testes, para que o resultado fosse um produto que a comunidade, de fato, pudesse passar a comercializar.
Passando então para a segunda possibilidade, percebi que era a mais viável para o contexto.
Quando conheci a cooperativa, Maria me falou que o grupo de artesãs estava com dificuldades em criar linhas de papelaria e que essa era a principal demanda que elas tinham. Decidi que meu papel frente à comunidade com a qual estou trabalhando, em um primeiro momento, seria melhor aproveitado se eu tiver projetando em, ou seja, agindo como uma facilitadora para que ideias se transformem em soluções.
Sendo assim, meu projeto consiste em desenvolver linha de papelaria para a Cooperunião.
A partir de um projeto definido, já posso tirar alguns requisitos de projeto das etapas anteriores:
• preservar as características de identidade da cooperativa;
• utilizar sacos de cimento como material destaque e diferencial nos produtos;
• inserir a Cooperunião no processo;
• otimizar o sistema de produção, gerando o mínimo de resíduos possível, por meio de produtos sustentáveis;
• ser acessível à cooperativa, em termos de produção, utilizando ferramentas que ela já possui.
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sábado, 9 de junho de 2012
sexta-feira, 1 de junho de 2012
da flor
Depois de conhecer e entender melhor o funcionamento da cooperativa como um todo, ainda no dia 23 de Maio, fui conhecer especificamente a área de artesanato de lá. Quem me recebeu foi a Maria, que é a líder do grupo das artesãs.
Ela me contou sobre o trabalho do grupo, que conta com 5 mulheres. Elas desenvolvem trabalhos com a reutilização do saco de cimento. O carro-chefe delas é a flor, vendida separadamente como elemento de decoração. Digo que é o carro-chefe tanto por ser o diferencial delas como pela repercussão que teve no universo do design, inclusive.
Em 2009, o estilista Ronaldo Fraga contratou o grupo de artesanato da Cooperunião para fazer centenas de flores a fim de decorar o desfile do Brasília Fashion Festival. Além disso, a Tok&Stok também terceirizou o serviço na cooperativa e vendia as flores nas lojas, como objeto de decoração.
Atualmente, o grupo de artesãs da Cooperunião está vendendo seus trabalhos exclusivamente na feira da torre, além de atender a encomendas (no dia que visitei, por exemplo, Maria me falou que tinha acabado de fazer centenas de rosas para enfeitar o coffee break de um evento).
Pode-se observar que a flor é um registro claro da identidade do grupo. Elas buscam sempre utilizar-se desse elemento decorativo para também mostrar quem são. Conversando com a Maria, ela me disse que o grupo quer desenvolver uma linha de papelaria, "um kit escritório", segundo ela, contendo um risque rabisque, uma agenda e um bloco de notas. A principal dificuldade para elas é na inovação dessas novas linhas e elas me pediram um auxílio principalmente nesse sentido.
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| Maria, na Cooperunião |
Ela me contou sobre o trabalho do grupo, que conta com 5 mulheres. Elas desenvolvem trabalhos com a reutilização do saco de cimento. O carro-chefe delas é a flor, vendida separadamente como elemento de decoração. Digo que é o carro-chefe tanto por ser o diferencial delas como pela repercussão que teve no universo do design, inclusive.
Em 2009, o estilista Ronaldo Fraga contratou o grupo de artesanato da Cooperunião para fazer centenas de flores a fim de decorar o desfile do Brasília Fashion Festival. Além disso, a Tok&Stok também terceirizou o serviço na cooperativa e vendia as flores nas lojas, como objeto de decoração.
| O estilista Ronaldo Fraga com as flores da Cooperunião |
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| Etiqueta da flor, Cooperunião + Tok&Stok |
Atualmente, o grupo de artesãs da Cooperunião está vendendo seus trabalhos exclusivamente na feira da torre, além de atender a encomendas (no dia que visitei, por exemplo, Maria me falou que tinha acabado de fazer centenas de rosas para enfeitar o coffee break de um evento).
O box da feira da torre que elas utilizam é o mesmo postado antes pela Ana Cecília e pela Isabella no blog do projeto delas. É relevante ler este post especificamente, que mostra um panorama sobre o desempenho do box frente à feira.
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| Flores feitas de saco de cimento. Vaso à esquerda feito com jornal e, à direita, feito com saco de cimento. |
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| Flor que é vendida na feira da torre |
Além das flores, a Cooperunião expõe produtos de papelaria que são feitos também a partir do reaproveitamento dos sacos de cimento.
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| Agenda: capa de papel paraná revestido de saco de cimento, com detalhes também de saco de cimento; espiral de plástico para encadernação; etiqueta informando sobre a natureza do produto. |
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| Agenda: miolo com folhas impressas em gráfica parceira; espaço para caneta feito de saco de papelão. |
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| Encadernação com outra alternativa de elástico. |
Pode-se observar que a flor é um registro claro da identidade do grupo. Elas buscam sempre utilizar-se desse elemento decorativo para também mostrar quem são. Conversando com a Maria, ela me disse que o grupo quer desenvolver uma linha de papelaria, "um kit escritório", segundo ela, contendo um risque rabisque, uma agenda e um bloco de notas. A principal dificuldade para elas é na inovação dessas novas linhas e elas me pediram um auxílio principalmente nesse sentido.
da cooperunião
Conforme havia falado antes, meu projeto de PP3 será junto a uma cooperativa incubada pelo CDT, a Cooperunião. No dia 23 de Maio, fui com o Thiago Lucas – representante do CDT – conhecer a comunidade.
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| Fachada da Cooperunião |
A Cooperunião (Cooperativa de Trabalho e Produção das Pessoas Unidas de São Sebastião) teve seu início em 2000, a partir do Pronager (Programa Nacional de Geração de Emprego e Renda). Esse programa é uma iniciativa do governo com a colaboração da ONU. As atividades do Pronager são desenvolvidas por meio de parceria com os ministérios e os governos estaduais e municipais e tem por objetivo principal oferecer meios de geração de renda à população, a fim de reduzir a situação de desemprego/subemprego nas comunidades pobres urbanas e rurais.
No início, a Cooperunião era uma empresa e em 2002 adotou o cooperativismo como regime jurídico. As sociedades cooperativas são reguladas pela Lei 5764/71. Vale à pena explorar o conceito desse tipo de sociedade, para entender melhor a comunidade com a qual estou trabalhando.
De acordo com o art. 4º da referida lei:
"As cooperativas são sociedades de pessoas, com forma e natureza jurídica próprias, de natureza civil, não sujeitas a falência, constituídas para prestar serviços aos associados, distinguindo-se das demais sociedades pelas seguintes características:
I - adesão voluntária, com número ilimitado de associados, salvo impossibilidade técnica de prestação de serviços;
II - variabilidade do capital social representado por quotas partes;
III - limitação do número de quotas partes do capital para cada associado, facultado, porém, o estabelecimento de critérios de proporcionalidade, se assim for mais adequado para o cumprimento dos objetivos sociais;
IV - inacessibilidade das quotas-partes do capital a terceiros, estranhos à sociedade;
V - singularidade de voto, podendo as cooperativas centrais, federações e confederações de cooperativas, com exceção das que exerçam atividade de crédito, optar pelo critério da proporcionalidade;
VI - quórum para o funcionamento e deliberação da Assembléia Geral baseado no número de associados e não no capital;
VII - retorno das sobras líquidas do exercício, proporcionalmente às operações realizadas pelo associado, salvo deliberação em contrário da Assembléia Geral;
VIII - indivisibilidade dos fundos de Reserva e de Assistência Técnica Educacional e Social;
IX - neutralidade política e indiscriminação religiosa, racial e social;
X - prestação de assistência aos associados, e, quando previsto nos estatutos, aos empregados da cooperativa;
XI - área de admissão de associados limitada às possibilidades de reunião, controle, operações e prestação de serviços."
Ou seja, as cooperativas são entidades com o objetivo de prestar serviços, fundadas por um grupo de pessoas que, voluntariamente, se dispuseram em fazer parte da organização. Diferentemente de uma associação, que presta serviços de natureza social, educacional ou cultural, a cooperativa presta serviços de natureza comercial. Ela viabiliza o negócio para os associados frente ao mercado.
Outra peculiaridade do cooperativismo e uma das suas principais características é sua horizontalidade, no que tange à sua organização enquanto entidade. Há sim o presidente da cooperativa, mas cada associado tem igual importância na organização e suas deliberações são pautadas pela democracia, sendo que 1 associado = 1 voto.
Com relação à tributação, as cooperativas contribuem o mesmo tanto que empresas. Entretanto, não há encargos trabalhistas, visto que cada associado está lá voluntariamente e exerce o papel de sócio. (o que não quer dizer que seja um trabalho voluntário. O retorno das operações é distribuído proporcionalmente ao trabalho realizado pelo associado.)
Voltando à Cooperunião: trata-se de uma cooperativa que oferece cursos à comunidade gratuitamente e presta serviços a partir da atividade dos cursos. Atualmente, as áreas com que a Cooperunião trabalha são culinária, beleza e artesanato. Assim, a cooperativa oferece, por exemplo, o curso de manicure/pedicure à comunidade. As aprendizes, por sua vez, oferecem o serviço pago (utilizando a estrutura física da cooperativa).
Ao visitar a Cooperunião, percebi que é uma cooperativa bem estruturada e possuem um nível de maturidade bem avançado em termos organizacionais (possuem planejamento estratégico, boa infra-estrutura, contam com grande apoio da incubadora do CDT e até uma identidade visual – com manual! – eles tem).
Entretanto, notei também que há alguns problemas nesse aspecto organizacional. Ao visitar a sede da cooperativa em uma quarta-feira à tarde, havia apenas 5 pessoas no local. Não havia clientes e, como os cursos acontecem em sua maioria no período noturno, praticamente nenhum associado. Conversando com um dos associados, foi dito que os clientes não vão ao local pela tarde, pois à noite conseguem tomar os serviços gratuitamente, durante as aulas dos aprendizes. Assim, meu breve (e leigo) diagnóstico foi que há um problema de marketing como um todo na Cooperunião.
I - adesão voluntária, com número ilimitado de associados, salvo impossibilidade técnica de prestação de serviços;
II - variabilidade do capital social representado por quotas partes;
III - limitação do número de quotas partes do capital para cada associado, facultado, porém, o estabelecimento de critérios de proporcionalidade, se assim for mais adequado para o cumprimento dos objetivos sociais;
IV - inacessibilidade das quotas-partes do capital a terceiros, estranhos à sociedade;
V - singularidade de voto, podendo as cooperativas centrais, federações e confederações de cooperativas, com exceção das que exerçam atividade de crédito, optar pelo critério da proporcionalidade;
VI - quórum para o funcionamento e deliberação da Assembléia Geral baseado no número de associados e não no capital;
VII - retorno das sobras líquidas do exercício, proporcionalmente às operações realizadas pelo associado, salvo deliberação em contrário da Assembléia Geral;
VIII - indivisibilidade dos fundos de Reserva e de Assistência Técnica Educacional e Social;
IX - neutralidade política e indiscriminação religiosa, racial e social;
X - prestação de assistência aos associados, e, quando previsto nos estatutos, aos empregados da cooperativa;
XI - área de admissão de associados limitada às possibilidades de reunião, controle, operações e prestação de serviços."
Ou seja, as cooperativas são entidades com o objetivo de prestar serviços, fundadas por um grupo de pessoas que, voluntariamente, se dispuseram em fazer parte da organização. Diferentemente de uma associação, que presta serviços de natureza social, educacional ou cultural, a cooperativa presta serviços de natureza comercial. Ela viabiliza o negócio para os associados frente ao mercado.
Outra peculiaridade do cooperativismo e uma das suas principais características é sua horizontalidade, no que tange à sua organização enquanto entidade. Há sim o presidente da cooperativa, mas cada associado tem igual importância na organização e suas deliberações são pautadas pela democracia, sendo que 1 associado = 1 voto.
Com relação à tributação, as cooperativas contribuem o mesmo tanto que empresas. Entretanto, não há encargos trabalhistas, visto que cada associado está lá voluntariamente e exerce o papel de sócio. (o que não quer dizer que seja um trabalho voluntário. O retorno das operações é distribuído proporcionalmente ao trabalho realizado pelo associado.)
Voltando à Cooperunião: trata-se de uma cooperativa que oferece cursos à comunidade gratuitamente e presta serviços a partir da atividade dos cursos. Atualmente, as áreas com que a Cooperunião trabalha são culinária, beleza e artesanato. Assim, a cooperativa oferece, por exemplo, o curso de manicure/pedicure à comunidade. As aprendizes, por sua vez, oferecem o serviço pago (utilizando a estrutura física da cooperativa).
Ao visitar a Cooperunião, percebi que é uma cooperativa bem estruturada e possuem um nível de maturidade bem avançado em termos organizacionais (possuem planejamento estratégico, boa infra-estrutura, contam com grande apoio da incubadora do CDT e até uma identidade visual – com manual! – eles tem).
Entretanto, notei também que há alguns problemas nesse aspecto organizacional. Ao visitar a sede da cooperativa em uma quarta-feira à tarde, havia apenas 5 pessoas no local. Não havia clientes e, como os cursos acontecem em sua maioria no período noturno, praticamente nenhum associado. Conversando com um dos associados, foi dito que os clientes não vão ao local pela tarde, pois à noite conseguem tomar os serviços gratuitamente, durante as aulas dos aprendizes. Assim, meu breve (e leigo) diagnóstico foi que há um problema de marketing como um todo na Cooperunião.
quarta-feira, 23 de maio de 2012
do papel
Como falei antes, meu trabalho consiste em projetar em/para uma comunidade aqui de Brasília, a COOPERUNIÃO – Cooperativa de Trabalho e Produção das Pessoas Unidas de São Sebastião*, que desenvolve produtos a partir do saco de cimento. Hoje mais tarde, terei a oportunidade de conhecer o grupo e entender a fundo o trabalho da cooperativa.
Enquanto isso, estudar sobre o papel se faz necessário, já que é o principal material com o qual trabalharei ao longo do projeto.
Enquanto isso, estudar sobre o papel se faz necessário, já que é o principal material com o qual trabalharei ao longo do projeto.
Um breve histórico do papel pode ser acessado por este link. Sucintamente, ele teve sua origem na China, quando misturou-se cascas de árvores com trapos de tecidos. Depois de molhados, essas substâncias eram batidas até formarem uma pasta, que era colocada em peneiras, permitindo que a água escoresse. Em seguida, a mistura secava, formando uma espessa e texturizada folha de papel.
Ainda hoje essa técnica é utilizada, quando se pretende reciclar papel caseiramente:
Com o passar do tempo, a técnica se aprimorou. Hoje, existem vários tipos de papéis, cada um com suas respectivas especificidades. Na hora da reciclagem, é importante separar esses papéis, de acordo com suas características. A indústria gráfica chama de aparos as sobras de papéis resultantes de suas produções. Esses aparos são vendidos para uma recicladora, que fará a classificação dessas sobras, de acordo com a normatização feita pela ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas. A classificação pode ser encontrada neste site.
Para o meu projeto, é interessante aprofundar-se no papel do saco de cimento. Ele é classificado como KRAFT III, segundo a NBR-15483 da ABNT. Esse tipo de papel é caracterizado por ser multifolhado.
Os papéis do tipo kraft são aqueles cuja matéria prima são fibras vindas de polpas de madeira macia. O papel kraft é a matéria prima do papelão ondulado.
O papel kraft multifolhado é utilizado para armazenar cimento, porque permite o enchimento da embalagem com o material ainda bastante aquecido (não atrapalhando o fluxo de produção), além de ser barato. Assim, ele não é o material ideal em termos de impermeabilidade – diferente do que se imagina. O plástico, teoricamente, seria o material mais adequado para embalar o cimento, por suas propriedades impermeabilizantes. Entretanto, a linha de produção seria bastante afetada, já que esse material não suporta o altíssimo calor do cimento no momento da embalagem.
* Achei a COOPERUNIÃO num blog de uma outra cooperativa, que contava sobre o trabalho daquela. :)
Outros links consultados:
Associação Brasileira de Cimento Portland
Como fazer papel
História do papel
Reciclagem industrial I
Reciclagem industrial II
Video – reciclagem de papel
Ainda hoje essa técnica é utilizada, quando se pretende reciclar papel caseiramente:
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| Passo a passo da reciclagem de papel caseira |
Com o passar do tempo, a técnica se aprimorou. Hoje, existem vários tipos de papéis, cada um com suas respectivas especificidades. Na hora da reciclagem, é importante separar esses papéis, de acordo com suas características. A indústria gráfica chama de aparos as sobras de papéis resultantes de suas produções. Esses aparos são vendidos para uma recicladora, que fará a classificação dessas sobras, de acordo com a normatização feita pela ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas. A classificação pode ser encontrada neste site.
Para o meu projeto, é interessante aprofundar-se no papel do saco de cimento. Ele é classificado como KRAFT III, segundo a NBR-15483 da ABNT. Esse tipo de papel é caracterizado por ser multifolhado.
Os papéis do tipo kraft são aqueles cuja matéria prima são fibras vindas de polpas de madeira macia. O papel kraft é a matéria prima do papelão ondulado.
O papel kraft multifolhado é utilizado para armazenar cimento, porque permite o enchimento da embalagem com o material ainda bastante aquecido (não atrapalhando o fluxo de produção), além de ser barato. Assim, ele não é o material ideal em termos de impermeabilidade – diferente do que se imagina. O plástico, teoricamente, seria o material mais adequado para embalar o cimento, por suas propriedades impermeabilizantes. Entretanto, a linha de produção seria bastante afetada, já que esse material não suporta o altíssimo calor do cimento no momento da embalagem.
* Achei a COOPERUNIÃO num blog de uma outra cooperativa, que contava sobre o trabalho daquela. :)
Outros links consultados:
Associação Brasileira de Cimento Portland
Como fazer papel
História do papel
Reciclagem industrial I
Reciclagem industrial II
Video – reciclagem de papel
quarta-feira, 16 de maio de 2012
do projeto
Uma das possibilidades de projeto era trabalhar com alguma comunidade incubada no CDT (Centro de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico), da Universidade de Brasília.
A Incubadora Social do CDT tem como objetivo "contribuir para o desenvolvimento e a sustentabilidade de empreendimentos de Economia Social e Solidária, atuando em Ensino, Pesquisa, Extensão e estimulando o uso de Tecnologias Sociais".
A oportunidade de trabalhar com uma comunidade se mostrou bastante alinhada ao propósito da disciplina. Ezio Manzini, em Design para a inovação social e sustentabilidade, fala sobre duas modalidades do design: projetar em (designing in) e projetar para (designing for).
Projetar em significa participar com os atores envolvidos nas organizações, de maneira colaborativa. Nesse caso, o designer tem a missão de facilitar que as ideias se transformem em soluções. Assim, cabe a ele promover colaboração entre diferentes atores sociais (comunidade, moradores, empresas, universidade), participar da construção de cenários compartilhados e otimizarem os produtos e serviços já existentes para suportarem a comunidade.
Projetar para significa intervir nos contextos a partir de uma análise e observação para torná-los mais favoráveis, por meio de soluções habilitantes para a comunidade, com características de aumentar a eficácia, a acessibilidade e a replicabilidade. Cabe também projetar iniciativas facilitadoras para que essas soluções façam parte da cultura da comunidade (por exemplo, eventos e plataformas catalisadoras).
A partir disso, acredito que terei bastante liberdade para projetar na comunidade e para a comunidade, sempre respeitando a identidade e a cultura dos trabalhadores. Fiquei bastante entusiasmada com a oportunidade e acho que o aprendizado pode vir muito além do projetual.
Escolhi trabalhar com o grupo COOPERUNIÃO. Eles são uma cooperativa de São Sebastião e desenvolvem produtos a partir de papel reciclado. Ainda não tive oportunidade de conhecer os projetos pessoalmente, mas é uma meta pra semana. :)
A Incubadora Social do CDT tem como objetivo "contribuir para o desenvolvimento e a sustentabilidade de empreendimentos de Economia Social e Solidária, atuando em Ensino, Pesquisa, Extensão e estimulando o uso de Tecnologias Sociais".
A oportunidade de trabalhar com uma comunidade se mostrou bastante alinhada ao propósito da disciplina. Ezio Manzini, em Design para a inovação social e sustentabilidade, fala sobre duas modalidades do design: projetar em (designing in) e projetar para (designing for).
Projetar em significa participar com os atores envolvidos nas organizações, de maneira colaborativa. Nesse caso, o designer tem a missão de facilitar que as ideias se transformem em soluções. Assim, cabe a ele promover colaboração entre diferentes atores sociais (comunidade, moradores, empresas, universidade), participar da construção de cenários compartilhados e otimizarem os produtos e serviços já existentes para suportarem a comunidade.
Projetar para significa intervir nos contextos a partir de uma análise e observação para torná-los mais favoráveis, por meio de soluções habilitantes para a comunidade, com características de aumentar a eficácia, a acessibilidade e a replicabilidade. Cabe também projetar iniciativas facilitadoras para que essas soluções façam parte da cultura da comunidade (por exemplo, eventos e plataformas catalisadoras).
A partir disso, acredito que terei bastante liberdade para projetar na comunidade e para a comunidade, sempre respeitando a identidade e a cultura dos trabalhadores. Fiquei bastante entusiasmada com a oportunidade e acho que o aprendizado pode vir muito além do projetual.
Escolhi trabalhar com o grupo COOPERUNIÃO. Eles são uma cooperativa de São Sebastião e desenvolvem produtos a partir de papel reciclado. Ainda não tive oportunidade de conhecer os projetos pessoalmente, mas é uma meta pra semana. :)
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