Mostrando postagens com marcador reciclagem. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador reciclagem. Mostrar todas as postagens

domingo, 3 de junho de 2012

dos 3r's

Os 3r's já viraram um clichê da responsabilidade ambiental. Mas até que ponto isso é, de fato, sustentabilidade? O que exatamente são os 3r's? Qual a relação dos 3r's com a disciplina e, mais importante, com o meu projeto?
Este post visa responder todas essas perguntas e ele surgiu quando eu passei a me confundir com os termos "reciclar" e "reutilizar", sem saber exatamente qual utilizar para me referir ao processo feito pela Cooperunião – Artesanato. Para ser mais técnica no meu projeto e estudar mais a fundo a sustentabilidade, decidi pesquisar sobre o tema.

Reduzir. Reutilizar. Reciclar. Os 3r's que são comumente associados ao conceito de sustentabilidade. Eles se tratam, na verdade, de práticas para redução de lixo.
A hierarquia dos resíduos é um conceito utilizado no campo da gestão de resíduos que tem por finalidade identificar e classificar as estratégias de eliminação de lixo. A pirâmide é invertida, já que o ideal é que haja mais redução, reutilização e reciclagem de materiais. Caso não seja possível a reciclagem, o resíduo será queimado para criar energia. E se isso não for possível, será depositado em um aterro sanitário, o que é, de longe, a pior das opções, pelos danos ambientais que causa.

Pirâmide da Hierarquia dos Resíduos













É importante lembrar, contudo, que a sustentabilidade é muito mais do que isso. A redução de resíduos é apenas a ponta do iceberg, é um dos papéis que o indivíduo pode assumir se quiser contribuir para uma sociedade ambientalmente sustentável.
Vi esse vídeo, The Story of Stuff, e foi bastante esclarecedor nesse âmbito de recursos naturais e os agentes da sociedade com suas devidas responsabilidades atribuídas.
É importante lembrar que todo esse cenário exposto pelo vídeo também é só uma parcela do que é a sustentabilidade de fato, conforme abordei neste post.
Assim, a prática dos 3r's < sustentabilidade ambiental < sustentabilidade.




Retomando a ideia de que os 3r's são práticas para diminuir a quantidade de lixo, é interessante destrinchar os conceitos de cada um dos r's:

• Reduzir: trata-se de comprar menos, diminuir o consumo do que não é necessário. Práticas ligadas à reutilização são: dar preferência a materiais não-descartáveis (por exemplo, se puder optar entre copos descartáveis e copos de vidro, escolher o segundo), preferir produtos embalados em maior quantidade (por exemplo, na hora de comprar um sabão em pó, escolher o pacote econômico), consertar os produtos (ao invés de jogar fora e comprar outro), dividir produtos (aqueles que têm um período de uso curto, por exemplo, uma furadeira).

• Reutilizar: trata-se de transformar um material em outro. Na reutilização, não há um reprocessamento. A reutilização de produtos pode ser feita utilizando-o para a mesma finalidade ou para uma finalidade diversa daquela de origem. Práticas de reutilização são: reaproveitamento de materiais (por exemplo, usar uma caixa de sapato para armazenar objetos, todos os exemplos deste post, o meu projeto :), os projetos da Déborah, da Isabel e do Guilherme...).

• Reciclar: trata-se de um termo utilizado para materiais que podem voltar ao estado original e ser transformado novamente em um produto igual em todas as suas características. A reciclagem envolve o reprocessamento do material, ou seja, uma etapa (que tem gasto de energia) responsável por fazer o resíduo virar o mesmo produto que era antes. Assim, não é correto empregar o termo "papel reciclado" para aquele papel de cor bege que a gente encontra por aí, já que as características (cor, textura) são diversas do material que o originou. Diferentemente da latinha de alumínio, por exemplo, que, após ser derretida, é possível formar uma latinha igual à que a originou.

Assim, no contexto de PP3, é importante ressaltar que os 3r's são apenas uma das várias estratégias que podemos adotar nessa disciplina que propõe o design sócio-ambiental. No que tange ao meu projeto, acredito que o cenário de reutilização – inerente ao tema que escolhi – será apenas um dos caminhos para propor soluções para a Cooperunião.



Outros links consultados:
NC3rs
Regra dos 3Rs
Story of Stuff
Useless Design: hierarquia do lixo (esse blog tem umas coisas bem legais :) )

quarta-feira, 23 de maio de 2012

do papel

Como falei antes, meu trabalho consiste em projetar em/para uma comunidade aqui de Brasília, a COOPERUNIÃO – Cooperativa de Trabalho e Produção das Pessoas Unidas de São Sebastião*, que desenvolve produtos a partir do saco de cimento. Hoje mais tarde, terei a oportunidade de conhecer o grupo e entender a fundo o trabalho da cooperativa.

Enquanto isso, estudar sobre o papel se faz necessário, já que é o principal material com o qual trabalharei ao longo do projeto.

Um breve histórico do papel pode ser acessado por este link. Sucintamente, ele teve sua origem na China, quando misturou-se cascas de árvores com trapos de tecidos. Depois de molhados, essas substâncias eram batidas até formarem uma pasta, que era colocada em peneiras, permitindo que a água escoresse. Em seguida, a mistura secava, formando uma espessa e texturizada folha de papel.

Ainda hoje essa técnica é utilizada, quando se pretende reciclar papel caseiramente:
Passo a passo da reciclagem de papel caseira






















Com o passar do tempo, a técnica se aprimorou. Hoje, existem vários tipos de papéis, cada um com suas respectivas especificidades. Na hora da reciclagem, é importante separar esses papéis, de acordo com suas características. A indústria gráfica chama de aparos as sobras de papéis resultantes de suas produções. Esses aparos são vendidos para uma recicladora, que fará a classificação dessas sobras, de acordo com a normatização feita pela ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas. A classificação pode ser encontrada neste site.

Para o meu projeto, é interessante aprofundar-se no papel do saco de cimento. Ele é classificado como KRAFT III, segundo a NBR-15483 da ABNT. Esse tipo de papel é caracterizado por ser multifolhado.
Os papéis do tipo kraft são aqueles cuja matéria prima são fibras vindas de polpas de madeira macia. O papel kraft é a matéria prima do papelão ondulado.

O papel kraft multifolhado é utilizado para armazenar cimento, porque permite o enchimento da embalagem com o material ainda bastante aquecido (não atrapalhando o fluxo de produção), além de ser barato. Assim, ele não é o material ideal em termos de impermeabilidade – diferente do que se imagina. O plástico, teoricamente, seria o material mais adequado para embalar o cimento, por suas propriedades impermeabilizantes. Entretanto, a linha de produção seria bastante afetada, já que esse material não suporta o altíssimo calor do cimento no momento da embalagem.


* Achei a COOPERUNIÃO num blog de uma outra cooperativa, que contava sobre o trabalho daquela. :)

Outros links consultados:
Associação Brasileira de Cimento Portland
Como fazer papel
História do papel
Reciclagem industrial I
Reciclagem industrial II
Video – reciclagem de papel